Na rua, a servir refeições quentes, 365 dias por ano

20 anos CASA. "Fomos movidos por uma força maior, típica de quem acredita que ao ajudar os outros, tudo pode acontecer"

Para assinalar os 20 anos de vida do CASA pedimos aos nossos coordenadores e voluntários das várias delegações espalhadas por todo o país que nos contassem um pouco mais sobre as suas experiências nesta missão que é ajudar quem mais precisa.

 "O CASA Madeira desde o seu início sempre foi repleto de histórias que conduziram, todas elas sem excepção, ao que somos hoje como instituição.

Costumo dizer que não havia um plano devidamente delineado, nem eu almejava semelhante plano…, foram as imprevisíveis e surpreendentes histórias, ao longo destes anos que trouxeram o CASA até aqui… e a mim também! Por isso, ao olhar para trás, não me é fácil escolher uma história no meio de tantas, que trariam o espanto a esta conversa, porque todas, no seu momento, nos fizeram acreditar. Certo é que todas nos impulsionaram a fazer mais e melhor. Fomos movidos por uma força maior, típica de quem acredita que genuinamente ao ajudar os outros, com a melhor das motivações, tudo pode acontecer e é nesse patamar que os sonhos se materializam.

Opto por relatar a seguinte história, e escolho-a, por ser aquela que mais mudou a nossa área de acção e que contribuiu para que o nosso desígnio de ajudar as pessoas a se reerguerem se tornasse uma realidade, e assim fizéssemos efetivamente, a diferença na vida de alguém.

Em 2015, o voluntário Filipe Dâmaso Nunes Gomes liga-me a dizer que o irmão, Duarte Nuno Nunes Gomes, que era professor numa escola de Tomar, lhe havia ligado a perguntar se a instituição onde ele era voluntário gostaria de receber como doação uma casa no Funchal, que se encontrava devoluta. Fiquei em silêncio, e logo me ocorreu o quanto aspirava por um sítio onde pudéssemos acolher pessoas em situação de sem abrigo. O meu sim foi imediato. Não queria acreditar que uma vez mais, o universo trabalhava em nosso favor, desenhando as condições propícias à concretização de mais um sonho.

A Avó da directora da escola, Maria João Marçal, onde o irmão do Filipe leccionava, tinha recebido uma herança, na qual se incluía uma casa antiga de 2 andares, que se encontrava devoluta e ela pretendia doar a casa a uma instituição que trabalhasse com pessoas em situação de sem abrigo. E assim foi. Por ironia do acaso, a casa ficava perto da nossa sede e da casa onde nasci e cresci.

Faltava agora reconstruir a casa. Após a apresentação do projecto “Co-Abrigo”, assim designado, a mecenas e entidades que acreditassem no projeto e financiassem a sua reconstrução, eis que em Março de 2021, em plena pandemia, uma vez mais recebo um telefonema da Marta Bello Breyner, da Fundação Laps, a questionar se precisávamos de ajuda. Apresentei o projecto, que estava guardado na gaveta à espera do momento certo, e apresentei-o com a convicção que seria desta. Que era chegada a altura do sonho se materializar!

A 4 de Maio de 2021 Lapo Elkann, Joana Lemos Elkann da Fundação Laps e o CASA Madeira, assinavam o protocolo em que a Fundação Laps se comprometia a financiar a reconstrução da casa na sua totalidade.

Tudo aconteceu a uma velocidade galopante, com as emoções a emergir à flor da pele, em que erámos assolados por dúvidas e questões, mas que com o desenrolar das obras tudo se foi apaziguando, e tudo foi ganhando forma, até que a 07 de dezembro 2021, volvidos 7 meses, o projeto “Co- Abrigo” - Habitação partilhada, era orgulhosamente inaugurado.

E em apenas seis meses, o Projeto “Co-Abrigo” já tocou e fez a diferença na vida de 6 pessoas…, respeitando e acolhendo todos de acordo com as suas aspirações, habilidades e sonhos individuais.

Há histórias felizes! Esta é certamente uma delas. Feita de compaixão de pessoas para pessoas “365 dias Redistribuindo Amor”

 

Em memoria de: Dulce de Freitas Mendes Sumarés Gomes da Silva (14-10-1918 -28-08-2021)

Eternamente gratos pela sua generosidade em nos ter doado este espaço, que será uma casa onde, aqueles que por aqui passarem, terão a oportunidade de se reerguer, dar um novo sentido à sua vida e assim voltarem a sonhar. Bem-haja

 

E à Fundação Laps:

“Ter amigo é ter abrigo. Um lugar para se esconder até o temporal passar. Começar num abraço quando tudo acabar. Uma proteção de ferro para nada lhe acertar. É compartilhar o mesmo sorriso e a tristeza continuar. Ter amigo é saber que mesmo sem um teto … tem uma casa para morar! Lapo Elkann & Joana Lemos Elkann

 

Texto por Sílvia Marques Ferreira, Coordenadora da Delegação da Madeira

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