Na rua, a servir refeições quentes, 365 dias por ano

“Não é dar só comida, é ter um olho clínico, olhar para as pessoas e ver o que precisam”

Os olhos denunciam-lhe o sorriso fácil (ainda) escondido pela máscara em tempo de pandemia. Diligência na voz e altruísmo nos braços, Berta dá início a mais uma ação de voluntariado no CASA.

Numa sexta-feira ao final do dia. Só regressará a casa ao início da madrugada. Depois de uma semana de trabalho, a ter de garantir o último comboio para regressar a casa em Alenquer, Berta Santos escolhe passar o seu serão pelas ruas de Lisboa a distribuir refeições quentes a quem mais precisa. Qual a sua motivação? “Dar de comer a quem tem fome.” É simples, é primário, mas é urgente. Na rua e no contacto com quem vai à carrinha do CASA, Berta não tem vestígios de julgamento na maneira sensível como interage com as pessoas. “Não é dar só comida, é ter um olho clínico, olhar para as pessoas e ver o que precisam”, ressalva.

Jurista de profissão, admite que não consegue “ficar indiferente”. Não consegue olhar para o lado. De todas as pessoas com que se cruza na entrega das refeições, são os pais acompanhados por crianças que mais a impressionam. Pais “cobertos por muita vergonha, não falam muito”. Os voluntários tentam “fazer daquele momento o mais curto e normal possível”. Mas são estes que lhe pesam mais no coração. E também os idosos e os animais. Para estes últimos, Berta tem o cuidado de levar ração.

A equipa de voluntários começa a conhecer quem os procura nas ruas e identificam as principais necessidades. E têm isso em conta quando preparam as carrinhas para sair. Levam mantas, artigos de higiene, ração para animais ou roupa de acordo com os pedidos e com as necessidades identificadas.

No final da rota, Berta, que já carregou a carrinha e distribuiu na rua refeições quentes, fruta, iogurtes e o que os donativos permitiram, regressa às instalações do CASA com a tarefa de, com a ajuda do voluntário que a acompanha, lavar e limpar o que sobrou, assim como arrumar a carrinha. Missão cumprida. No dia seguinte, chegarão às várias delegações do CASA em todo o país mais voluntários para cumprir a mesma missão de Berta. Todos os dias do ano.

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