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Inauguração Cozinha CASA Del. Figueira da Foz

As instalações da CASA - Figueira da Foz, foram inauguradas oficialmente no dia 7 de Julho, numa cerimónia simples mas bastante tocante para todos os presentes, sobretudo graças à presença, que muito nos honrou, de Mestre Tulku Pema Wangyal Rinpoché, monge budista tibetano, Presidente Honorário desta instituição e mentor da iniciativa CASA a nível internacional. Além de cerca de três dezenas de voluntários figuerenses e de outras cidades, a cerimónia, a que se seguiu um almoço a cargo da nossa amiga e voluntária Iris Palhas e do contributo de membros que trouxeram os seus "petiscos", contou também com a presença do presidente da CASA a nível nacional, Jorge Correia, bem como do responsável pela delegação do Porto, Pedro Nicolau, e do vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira, Carlos Monteiro, vereador responsável pelo pelouro social da autarquia, que nos cedeu este espaço.



Extremamente simpático e acessível, Mestre Tulku Pema visitou a nossa sede - ainda a precisar de bastantes melhoramentos, que aos poucos vamos conseguindo fazer sobretudo com trabalho voluntário -, trocou impressões com muitos dos presentes, proferiu um discurso cativante e motivador onde realçou valores como a aceitação ou o afeto, e almoçou connosco ao ar livre, no pátio interior do edfício, num clima de grande informalidade e comunhão.



Colocando em prática o espírito de partilha e de humildade, que inspiram o movimento CASA, Mestre Tulku Pema fez questão de por diversas vezes se levantar e servir comida aos presentes, circulando entre as pessoas com as travessas de iguarias vegetarianas ou de frutas. O alto representante budista agradeceu o trabalho dos voluntários, de ajuda aos mais necessitados, um trabalho «precioso», desde logo porque «todos os seres humanos têm o mesmo direito à felicidade e o direito de, pelo menos, terem as suas necessidades básicas satisfeitas». Referindo-se à questão da desigualdade, em que alguns têm muito e muitos têm pouco, Mestre Tulku Pema realçou a diferença de postura entre os pobres asiáticos, designadamente indianos, e os do mundo ocidental. Enquanto os primeiros, referiu, convivem com a pobreza de forma sistemática há muito mais tempo, para nós numa Europa que afirmou cada vez mais despida de valores espirituais, esta é uma realidade que para muitos é nova.



«Na Índia há muitos pobres, mas quando falamos com eles, dizem "a minha situação é a que é, é a vontade de Deus e eu aceito-a". E outras pessoas acreditam na lei da causa e efeito, encarando as condições do presente como sendo consequência de ações do passado, não consideram a sua condição como permanente, a sua situação pode mudar. Como tal, sofrem muito menos». Para o mestre budista, o ocidente teve uma riqueza espiritual muito grande no passado, mas «tem havido um declínio a esse nível e a vida (dos ocidentais) tem sido cada vez mais ancorada no mundo e no progresso material. E como se refugiam cada vez mais no mundo material, quando o mundo material começa a entrar em declínio, começam a entrar mais facilmente no desespero. Como tal, tenho verificado que os pobres e os sem-abrigo sofrem muito mais do que na Índia, onde a maioria das pessoas, com aquela postura espiritual, acredita que a pobreza pode ser considerada como uma forma de vida e escolhem este estilo de vida também como uma forma de viver uma vida simples. Enquanto que aqui no ocidente, normalmente escolhemos viver uma vida materialmente melhor, e quando isso entra em declínio, sofremos muito mais, e há mesmo pessoas que não têm sequer onde viver. Ao mesmo tempo, vejo que há muitas casas aqui que estão vazias e desocupadas, algo que é doloroso. E assim, todos vocês que, com muita generosidade e bondade satisfazem as necessidades daqueles que são pobres e não têm onde dormir, estão a fazer algo de muito precioso», sublinhou, referindo-se também a entidades públicas que trabalham ativamente no apoio aos mais desfavorecidos, dando o exemplo do município figueirense e agradecendo diretamente ao autarca presente, que no final foi presentado com um lenço de seda branco, pleno de simbolismo budista e abençoado pelo Dalai Lama.



O ilustre visitante traçou também um breve resumo de como o movimento CASA se tem expandido, não só em Portugal, mas em Espanha ou em França, além da Índia ou do Nepal, onde se tem feito um valioso trabalho junto de crianças de rua, em constante risco de violência ou prostituição. Para Tulku Pema Wangyal Rinpoché, a palavra chave é «afeto». Dando o exemplo do afeto de uma mãe pelos seus filhos, que leva a um amor e a um apoio sem condições e sem limites, defendeu a universalidade desse sentimento, que nos permitirá, enfim, encarar o outro como uma mãe encara um filho. «E quando encaramos como um privilégio poder fazer algo de bom ao serviço dos outros, quando esta atitude e este sentimento está presente, o de gratidão, porque estas pessoas nos permitem fazer algo por eles, isso é algo de muito precioso, que também nos traz esperança. O afeto traz-nos o amor, o afeto traz-nos compaixão, e por amor queremos fazer tudo o que pudermos para ajudar o próximo. Mas sei que todos vocês sabem já disso, estou aqui hoje simplesmente para vos agradecer: muito obrigado a todos. Alguns dos meus mestres também diziam que ajudar os outros é ajudarmo-nos a nós próprios».



Fez também questão de homenagear a figura do fundador da CASA e outros projetos solidários, o seu pai e mestre Kangyur Rinpoche, falando um pouco sobre ele e a sua natureza generosa. Mais foi dito, mas esta é a síntese possível de uma inauguração simples mas bastante significativa e tocante para todos os que estiveram presentes. E como as imagens, dizem, valem por mil palavras, fica aqui a reportagem fotográfica do acontecimento. Com os nossos profundos agradecimentos a todos e em especial ao mestre que veio de longe iluminar o nosso caminho na Figueira da Foz, dando-nos estímulo para prosseguir com esta causa sempre urgente. Bem-haja!



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Publicado a 20 de Julho de 2013


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